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A mãe de Peter Handke suicidou-se quando tinha 51 anos. Para tentar lidar com o acontecimento traumático, o escritor austríaco fez o que sabia fazer melhor: escrever. UM ADEUS MAIS-QUE PERFEITO foi escrito durante dois meses no Inverno de 1972 e consiste numa viagem pela história da sua família: a vida dura dos avós no campo; a determinação da mãe em escapar àquele pequeno mundo opressivo; o riso do amor e a desilusão do desamor; um casamento abusivo; a solidão que sentia na casa onde ocupava os seus dias tomando conta dos filhos. A história da mãe de Handke é, ao mesmo tempo, a história da Europa Central: assistiu ao surgimento do nazismo, atravessou a II Guerra Mundial, e viveu a austeridade e o sofrimento que se seguiram. No espectáculo, dois actores dão voz às inquietações de PETER HANDKE. O texto era originalmente um romance, mas Teresa Gafeira quis imediatamente levá-lo para o palco: “Costuma-se dizer que um texto para funcionar em teatro tem de ter conflito. Aqui existe conflito entre o indivíduo que, à partida, tem condições para ser qualquer coisa, para ter qualquer coisa, para se desenvolver na sua plenitude, e, depois, as circunstâncias anulam-no, começam a afectá-lo, até atingirem neste caso o cérebro e até levarem ao acto do suicídio”, explicou a encenadora. “Neste caso, o conflito é entre uma mulher e as suas circunstâncias”. Depois de assistir à estreia deste espectáculo, no último Festival de Almada, o crítico espanhol Afonso Becerra escreveu o seguinte: “Handke escreve para atenuar a dor mas, como ele mesmo assinala, não o consegue. Escreve tentando descrever a mãe e aproximar-se dela, mas também não o consegue. Eis a tensão dramática deste texto que não é directamente um texto dramático, mas um romance: a procura da mãe, a aproximação dificílima, a descrição não edulcorada literariamente do terrível e da dor excruciante”. Ficha artística: A partir do romance de Peter Handke Encenação: Teresa Gafeira Tradução: Carlos Leite (gentilmente cedida pela editora Relógio d’Água) Adaptação: Pedro Proença Interpretação: Duarte Guimarães, Pedro Walter Cenografia e figurinos: Sérgio Loureiro Desenho de luz: Guilherme Frazão Música e Desenho de som: Daniel Mendrico Apoio vocal: Luís Madureira Vídeo: Lídia Octávia, Daniel Mendrico, Sérgio Loureiro Operação de luz e som: Daniel Mendrico Montagem André Oliveira, João Farraia, Daniel Mendrico, Paulo Horta, Lucas Domingos, Ângelo Basto, Rafael Salles, Luís Tomé Agradecimento: Lídia Octávia

 

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 23 de Setembro, 2026

 21H30 - 01H00


 Teatro Das Beiras – Auditório Fernando Landeira

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